quarta-feira, dezembro 07, 2005

Pergunta ingênua mas interessante.

Uma pergunta que me fizeram ...

“Porque as estrelas não caem?”

E a resposta realmente foi a seguinte:

Na verdade a pergunta não faz sentido e vou tentar explicar porque.

Primeiro é preciso entender o que significa “cair na Terra”. Dizemos que algo está caindo (na Terra) quando, atraído pela força gravitacional (da Terra sobre ele), este se dirige diretamento para o centro da Terra. Aí você dizer “Epa! Como assim para o centro... eu só vejo caindo até o chão...” De fato é assim, mas só porque a superfície é sólida. Se a Terra fosse feita só de gás o objeto só ia “parar” de cair quando chegasse no centro – Lembre que o formato da Terra é aproximadamente uma esfera.

Bem, resumindo: cair na Terra significa ser atraído e se mover no sentido do centro da Terra.

Em segundo lugar é preciso saber o que é uma estrela. Uma estrela é um astro gigantesco, muitas vezes maior do que a Terra. O Sol é um exemplo de estrela. Calcula-se que o Sol seja quase 333 mil vezes maior do que a Terra, e não é das maiores estrelas.

(Para saber mais sobre o Sol, veja: http://astro.if.ufrgs.br/solar/sun.htm)

Só mais uma comparação: o planeta Jupiter é quase 318 vezes maior do que a Terra e ainda falta muito para ser uma estrela – daí você pode concluir que realmente as estrelas (todas elas) são objetos astronomicos muito grandes mesmo.

Terceiro: a estrela mais próxima da Terra é, obviamente, o Sol. Se houvesse uma possibilidade de alguma estrela cair na Terra, seria ele, o Sol. Bom, eu já iniciei dizendo que um objeto cai na Terra se for atraído gravitacionalmente – o Sol é atraído pela Terra, com certeza. Mas ele é muito grande.

Imagine você sobre patins tentando empurrar um carro (ou puxar com uma corda) – você puxa ou empurra e o carro aparentemente não se move, já você... No caso da atração entre o Sol e a Terra é a mesma coisa. Assim muito mais certo seria pensar na Terra caindo no Sol – o que mudaria a sua pergunta. Vou falar disso depois.


Quarto: Que força é essa, chamada de gravitacional ? É preciso saber que todo objeto atrai outro objeto com uma força proporcional às massas (quanto maior a massa, maior a força) e inversamente proporcional ao quadrado da distância, o que quer dizer que a força fica mais fraca quanto mais longe um do outro estejam os corpos.

Imagine as interações entre:


a) a Terra e um objeto qualquer bem próximo da superfície, digamos uma maçã no galho de uma macieira. O tempo todo existe uma força de atração entre a Terra e a maçã. Em dado momento a maçã se desprende. Como a Terra é muito maior do que a maçã, ela mesma (a Terra) não vai se mover, apenas a maça (por ser menor) vai se mover, e o sentido vai ser para o centro da Terra (ou seja, para baixo).


b) a Terra e o Sol. A força de atração puxa a Terra na direção do Sol e o Sol na direção da Terra. Mas o Sol é grande demais para que se mova. Já a Terra pode, e de fato o faz. Mas essa força faz o papel de uma resultante centrípeta, ou seja, ao invés de fazer a Terra cair, ela faz a Terra girar ao redor do Sol.


c) a Terra e a Lua. Você não perguntou, mas podia ter perguntado: porque a Lua não cai na Terra?

Isso ocorre pelo mesmo motivo que a Terra não cai no Sol – a força de atração faz a Lua girar ao redor do nosso planeta. Se por alguma intervenção divina, a lua parasse de girar, então sim, viria a se chocar diretamente na Terra.

d) Finalmente: a Terra e todas as outras estrelas. As outras estrelas são muito grandes, muitas delas maiores do que o Sol. A força gravitacional poderia ser maior do que a força que existe entre a Terra e o Sol. Mas não é. E não é porque as distâncias são ABSURDAMENTE IMENSAS , as distâncias são ASTRONOMICAS (a origem do adjetivo é esse mesmo!) São tão grandes as distâncias que as forças gravitacionais tornam-se mínimas. Além disso, embora não exista um lugar no Universo chamado de “centro do universo”, você pode imaginar a Terra no centro de uma IMENSA esfera repletas de estrelas (lembrando que as distâncias são inconcebivelmente grandes). Imaginou? Bem, para cada estrela puxando a Terra, digamos, para a esquerda, vai ter outra puxando para direita... e o mesmo para cada direção que você imaginar. Ou seja, além das forças serem pequenas, ainda tendem a se cancelar umas as outras. Por isso a Terra não é, no final das contas, atraída para lado nenhum.

e) As estrelas e as outras estrelas. Taí uma interações que você não tinha pensado. Estrela também atrai estrela. As interações (forças) entre estrelas certamente vai ser maior do que as interações entre estrelas e planetas. Daí seria (eu disse “seria”) mais provável ocorrer a “queda” de uma estrela em outra – e não seria chamado de queda, mas de colisão.


Veja um pouco da história da astronomia, as idéias que os antigos tinham a respeito dos astros em : http://astro.if.ufrgs.br/antiga/antiga.htm

Veja algo sobre “colisão” de galaxias. As distâncias estelares são tão grandes, que mesmo nesse evento de colisão de galáxias, a probabilidade de duas estrelas colidirem é mínima.

http://www.zenite.nu/index.php?Id2=02&Id1=01

Se quiser saber um pouco mais sobre a força de atração gravitacional veja este site:

http://astro.if.ufrgs.br/newton/index.htm


------- Será ficou claro?

sexta-feira, outubro 14, 2005

Eletrostática




Foto tirada em uma feira de ciências. O gerador de van der graff é eletrizado por atrito, o meu corpo por contato... os fios de cabelo com cargas iguais se repelem o que provoca o efeito curioso da foto.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Comentário sobre energia eólica:

A energia eólica é do tipo renovável, isto é," inesgotável". Enquanto houver vento há energia, e os ventos continuarão a existir enquanto existir o Sol, e este deve brilhar por mais uns 5 bilhões de anos.

A energia eólica é limpa, pois não requer a queima de qualquer tipo de combustível, não libera nenhum resíduo (tóxico ou não) no meio ambiente.

Não produz poluição térmica, ou seja, não aquece o ambiente ao seu redor, coisa que as usinas termoelétricas fazem.

Mas para a captação eficiente de energia são necessárias várias turbinas juntas, que ocupam uma grande área em terreno descampado. Isso implica em mudar a paisagem (poluição visual) e além disso as turbinas emitem ruídos (“assobiam”) a medida que os ventos passam por suas hélices (poluição sonora). Veja os sites abaixo para uma melhor compreensão e analise.

Abaixo listo diversos sites sobre o assunto:

Energia eólica:

http://www.canalkids.com.br/meioambiente/cuidandodoplaneta/forca.htm

http://www.canalkids.com.br/meioambiente/cuidandodoplaneta/fazendas.htm

http://www.canalkids.com.br/meioambiente/cuidandodoplaneta/fazendas2.htm

http://www.eolica.com.br/index_por.html

Especial da BBC Brasil sobre o uso de energias renováveis no Brasil.

Notícia a respeito das pesquisas sobre energia eólica em Santa Catarina.

Da Unicamp - história e explicações técnicas sobre a energia eólica.


Da USP (Trabalho de alunos da universidade):

Uma questão política: "os governos devem ou não incentivar a produção de energia eólica?" Isso vem acontecendo, aos poucos. Veja:

Copel

Comciencia

Sobre o funcionamento da parte elétrica:

http://www.feiradeciencias.com.br/sala14/14_21.asp

http://www.feiradeciencias.com.br/sala12/12_T05.asp

http://www.feiradeciencias.com.br/sala12/12_19.asp

http://www.feiradeciencias.com.br/sala14/14_23.asp

sexta-feira, setembro 23, 2005

Como estudar Física

Aprender Física exige muita atenção, observação, interpretação, imaginação e esforço. A imaginação é importante para que você possa visualizar as situações propostas nos problemas. Veja um exemplo.

Enunciado de um problema: Um coelho sai de sua toca e se desloca 40 metros para o norte, em seguida vira a direita e caminha 30 metros para o leste, vira novamente para a direita e caminha 80 metros para o sul. Necessitando voltar muito rapidamente para a toca qual será a menor distância que ele deverá percorrer?

Exige esse problema que você imagine o bicho caminhando... exige que você lembre bem para onde fica o norte, o leste , o oeste e o sul (a famosa “rosa dos ventos”) e você tem que representar graficamente a situação:

É necessário, também, conhecer o significado de cada palavra. Alguns termos usados em Física são usados na linguagem comum com o mesmo significado, outros são usados no dia a dia, mas têm, na Física um significado um pouco diferente, e há termos que praticamente não se usa na linguagem comum. Você precisa conhecer todos eles e saber o significado que o termo tem para a Física.

Exemplos:
São usados no dia a dia com o mesmo significado: Distância, Velocidade, Tempo, ...

São usados no dia a dia mas tem na Física um significado próprio:
*Massa – a massa mede a inércia de um corpo, sua unidade de medida é o quilograma, kg. Na linguagem comum confunde-se massa com peso.
*Peso – é uma força. É força que a Terra exerce sobre os corpos puxando-os para baixo. Mede-se em newtons (N) ou em quilograma-força (kgf). Como já disse, na linguagem comum é confundido com massa.
*Trabalho – na linguagem comum é uma tarefa a ser cumprida em certo tempo, um emprego ou algo assim. Na Física, trabalho é energia...

Não são muito utilizados no dia a dia: capacidade térmica, calor específico, quantidade de movimento, etc...

A Física às vezes é chamada de Ciência das Medidas, pois o conceito de medida e os sistemas de medidas são fundamentais para todas as áreas da Física.

Uma coisa importantíssima para aprender Física é praticar, ou seja, resolver problemas muitos problemas. Acontece que não há muito o que inventar em termos de problemas de maneira que com a prática você acaba percebendo que os problema são parecidos, mesmo quando os enunciados não parecem ser. Então se os problemas são parecidos embora os enunciados não sejam, você pode resolver os execícios de um livro ou de uma apostila usando os exercícios resolvidos como modelo.

As áreas da Física, abordadas no Ensino Médio são:

I - Mecânica:

a) Cinemática

b) Dinâmica

c) Estática

d) Mecânica dos Fluídos: compreende a hidrostática e a hidrodinâmica

II - Física Térmica

a) Termologia: termometria e dilatometria

b) Calorimetria

c) Leis dos gases e Termodinâmica

III - Ondulatória

a) Ondas

b) Acústica

c) Óptica Física

IV - Óptica Geométrica

V - Eletricidade e Magnetismo

a) Eletrostática

b) Eletrodinâmica

c) Magnetismo

d) Eletromagnetismo

VI - Física Moderna

a) Relatividade Restrita de Einstein

b) Princípios da Física Quântica

c) Física nuclear e de partículas (princípios)

Veja alguns sites que podem ser úteis:
Feira de Ciências São, é claro, projetos para feiras de ciências, mas também contém teoria.
Fichario online - São resumos
Fisicanet Esse site abarca praticamente todas as áreas da Física, com conteúdo próprio ou arquivos para download. Neste mesmo site há páginas com dicas de estudo e como resover problemas, vou listar esses links também:

Como estudar Física:
Fisicanet/artigos

Como resolver problemas de Física:
Fisicanet/artigos/

O que é uma Teoria:
Fisicanet/artigos/o

Fisica UFC Departamente de Física da Universidade Federal do Ceará.

Experimente também a Wikipédia, a enciclopédia livre.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Plasma

Plasma - "o quarto estado" da matéria.


Atualmente são conhecidos seis (6) fases da matéria, sendo três ordinárias: fase sólida, fase líquida e fase gasosa, uma fase menos conhecida apesar de ser a mais abundante do universo, a fase de plasma. As outras duas foram obtidas em laboratório, que são o condensado de Bose-Einstein (BEC) e o condensado de Fermi-Dirac. Até o momento esses dois últimos não estão sendo usados para coisas práticas do dia a dia.
Já o plasma tem grande aplicação tanto como entretenimento, como na bola de plasma da foto, quanto nas telas de plasma para tv. O plasma tem também aplicações industriais em maçaricos e fornos especiais, em pesquisa científica nos aceleradores de partículas e pesquisa sobre fusão nuclear.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Interferência luminosa

As fotos são de películas de sabão. Elas mostram o efeito da interferência luminosa.
A luz se propaga na forma de ondas (de natureza eletromagnética) e ao atingir a película mais externa em parte se reflete e em parte refrata. A porção que refrata atinge a superfície interna e novamente se reflete. A película é muito fina, tem ordem de grandeza comparável aos comprimentos de onda da luz, o que provoca mudanças de fase nas ondas, que acabam se encontrando no ar novamente. Algumas ondas se interferem reforçando-se e outras se cancelam. Isso subtrai algumas cores do espectro. Qual cor vai sumir e qual vai se reforçar depende da espessura da película, e como a espessura não é uniforme, diferentes cores aparecem na superfície da bolha de sabão.


fotos: Flickr

quinta-feira, julho 21, 2005

O que é afinal a Ciência ?

Chamamos de Ciência, e mais propriamente Ciência Natural, a um conjunto de conhecimentos a respeito da natureza, e não só de conhecimentos mas de hipóteses, teorias, leis. A Ciência nasceu a partir da Filosofia Natural. Os chamados filósofos naturais procuravam explicações sobre os fenômenos que ocorriam na natureza. À medida que as respostas eram encontradas, elas passaram a integrar um conjunto de conhecimentos que hoje chamamos de CIÊNCIA.
O termo "Ciência" de
veria subtender apenas o conhecimento a respeito da Natureza, sendo redundante o termo "Ciência Natural". Mas como ciência quer dizer conhecimento, e como nosso conhecimento se expandiu para outras áreas, como humanas e formais (matemática), pode-se falar em subdivisões da Ciência em Ciência Natural, Ciências Humanas e Ciência Formal (ou abstrata).













segunda-feira, junho 20, 2005

Trocas de calor e as Leis da Termodinâmica

Eu defendo a idéia de explicar desde sempre a troca de calor como calor Q1 sendo recebido e calor Q2 sendo cedido. Isso só vai simplificar. Veja:

Em um sistema fechado um corpo A cede calor a um corpo B de temperatura mais baixa, a troca de calor prossegue até que ambos atinjam o equilíbrio térmico.
Descrição correta, porém ficam algumas dúvidas: como é que A “sabia” que devia ceder calor a B ? como foi que eles ficaram “sabendo” que as temperaturas já haviam se igualado, e que deviam “parar” de trocar calor?
Uma descrição mais completa, portanto seria:

Em um sistema fechado, um corpo A irradia calor em função de sua temperatura, esse calor irradiado é refletido pelas paredes do recipiente, suposto perfeitamente adiabático, e parte dele incide novamente em A (e por isso não entra na “conta”) e parte dele incide em B, de forma que se dizer que A cede ou perde uma quantidade de calor Q(a), que é absorvida por B . O corpo B também irradia calor, parte do calor irradiado por B incide sobre ele mesmo, sendo reabsorvido (e por isso não entra na “conta”), e parte dele atinge A, dessa forma dizemos que B cede uma quantidade de calor Q(b) que é absorvido por A.
Dessa forma as trocas de calor entre A e B ocorrem da seguinte forma:
A cede uma quantidade de calor Q(a) e recebe Q(b); assim a quantidade de calor efetivamente trocada por A é Q = Q(b) – Q(a)
Assim se A ceder mais do que recebe, a quantidade de calor trocada é negativa e dizemos que A perdeu ou cedeu calor. Se A receber mais do que cede então dizemos que a quantidade de calor trocada é positiva e que A recebeu uma quantidade de calor Q.
O mesmo vale para o corpo B. Sendo para esse a troca efetiva de calor:
Q = Q(a) – Q(b)

Ou seja, em qualquer caso, a quantidade de calor trocada será:
Q = Q(recebido) – Q(cedido)

Assim podemos explicar como pode existir quantidade de calor negativa, sendo que a energia nunca é negativa. Acontece que as quantidades Q(a) e Q(b) são sempre quantidades positivas, a diferença entre elas é que pode ser positiva ou negativa, ou seja, a troca de calor pode ser negativa ou positiva.
Ou seja:
Se Q(recebido) > Q(cedido) então Q > 0 e dizemos que o corpo está recebendo calor ou absorvendo calor
Se Q(recebido) < Q(cedido) então Q <0 e dizemos que o corpo está perdendo ou cedendo calor Explicado assim também fica fácil de explicar que ninguém precisa avisar os corpos do sistema qual deles é mais quente e que deve ceder calor. As trocas ocorrem naturalmente, cada um emitindo calor conforme sua temperatura, e recebendo dos demais. Ninguém precisa avisar a hora de parar de trocar calor, porque a troca não pára, ela prossegue mesmo após o equilíbrio térmico. Ocorre apenas que nessa situação a quantidade de energia emitida ou cedida é igual à quantidade de energia recebido, assim: Q = Q(recebido) – Q(cedido) , sendo Q(recebido) = Q(cedido) , vem que: Q = 0

As Primeira e Segunda Leis da Termodinâmica ficam fáceis de explicar também:

Um sistema termodinâmico recebe uma quantidade de calor Q1 e cede uma quantidade de calor Q2. Nesse processo sofre uma variação da energia /\U interna e realiza ou recebe uma trabalho W.

De acordo com a Primeira Lei a energia deve ser conservar, portanto:

Q1 = Q2 + /\U + W
Ou seja:

Q1 – Q2 = /\U + W

Sendo que Q1 – Q2 é a quantidade de calor trocada entre o sistema e a vizinhança, portanto Q1 – Q2 = Q

Então: Q = /\U + W que leva na forma mais conhecida: /\U = Q – W

A Segunda Lei.

Uma máquina térmica trabalha em ciclos, e num ciclo completo o sistema retorna ao estado inicial, portanto /\U = 0, e dessa forma W = Q. Isso pode levar a uma conclusão absurda, a de que a máquina transforma todo calor recebido em trabalho.
Mas lembrando que Q = Q(recebido) – Q(cedido) vem que :

Q1 – Q2 = W e que Q1 = W – Q2

Ou seja, nem todo calor recebido (Q1) se converte em trabalho, pois sempre existe um calor cedido ou rejeitado (Q2)

E o rendimento: R = W/Q1 sempre < 1; e ninguém agora vai cometer a burrice de fazer R = W/Q = 1 já que W=Q.

Ficou claro?

quarta-feira, junho 15, 2005

Capa de trabalho...




Capa de um trabalho recebido de uma aluna. Do trabalho não lembro mais nada, mas a capa é nota dez. É claro que meu conhecimento de arte é algo perto de zero... seja como for, eu gostei do desenho.

terça-feira, junho 14, 2005

A terceira lei de Newton... quem sabe ensina, quem não sabe complica!

A terceira lei de Newton, tão conhecida e tão pouco compreendida.
Há quem pense assim:
- Eu chuto a bola - é a ação. A bola "voa" longe - é a reação! ou então:
- Eu jogo o copo (de vidro) na parede - é a ação; o copo quebra - é a reação.
Os dois estão errados. Isso não é a 3ª lei de Newton, isso aí é lei de causa e efeito.
A lei da causa e efeito é a que diz que todo efeito tem uma causa, e que todo efeito vai ser a causa de outro efeito.

Alguns, até mesmo professores, dizem que de acordo com a 3ª lei de Newton, toda ação provoca uma reação contrária de mesma intensidade. O que também está errado. Errado porque vai levar a conclusões absurdas. Uma conclusão absurda: "eu amo a Fulana profundamente, essa é a ação, então Fulana vai me amar profundamente, é a reação!" ou o sujeito pode se confundir ainda mais e concluir que a "fulana" vai odiá-lo profundamente, imaginando "odiar" como ação contrária a "amar".
Definitivamente a formulação da lei da ação e da reação conforme acima só vai complicar. A formulação correta é que, em toda interação de dois corpos, surge um par de forças, cada força em um dos corpos, e são forças de mesma intensidade, mesma direção e sentidos opostos. Ou seja, que para toda FORÇA de ação corresponde uma FORÇA de reação de mesma intensidade, mesma direção e sentido oposto.
E dizer que para toda força de ação corresponde uma força de ação não é a mesma coisa que dizer que para toda ação corresponde uma reação. E o pior é que eu mesmo em meus primeiros tempos ensinava dessa forma equivocada.

Outro erro comum é dizer que a força normal é reação da força peso. É curioso que alguns professores/autores até explicam direitinho... mas na hora de representar as figuras surgem os erros. Em uma apostila de 1º ano do Ensino Médio, está lá explicando o peso aparente em um elevador. Tudo muito bem, tudo muito certo, até aparecer a figura: o sujeito de pé sobre o piso do elevador, o vetor força peso aplicado no sujeito e apontado para baixo, e a força normal ... aplicada no piso do elevador e apontando para cima (???)... só não fiquei mais indignado porque essa figura aparece no "livro do professor" e não do aluno, mas eu imagino muito professor aí olhando a tal figura e reproduzindo igualmente no quadro ... pobres alunos.

Para quem não entendeu eu explico: supondo superfície de apoio plana e horizontal, a força normal, na verdade é um par de forças, uma aplicada no piso mesmo, mas apontando para baixo (força de compressão") e outra aplicada no sujeito mas apontada para cima ("força normal").
Assim ao representar as forças agindo sobre a pessoa no elevador o correto é representar sobre ele mesmo (a sujeito) duas forças, uma para baixo (o peso) e uma para cima (a normal).

sexta-feira, junho 10, 2005

Faça o que eu digo, não o que eu não faço (?)

Li a algum tempo uma história:
Ocorreu no Oriente Médio em algum lugar e tempo imaginários... Uma mãe desesperada com a quantidade de açucar que seu filho comia foi ao juiz (Cadi) reclamar. Por favor, mande meu filho reduzir a porção diária de açucar, eu não ganho o suficiente para sustentar a gula dele. Ou algo assim... O cadi pensou um pouco, olhou para a mãe e para a criança e pediu uma semana de prazo para refletir sobre o assunto.
A mãe não gostou de esperar tanto tempo, mas não teve outra alternativa.
Uma semana depois a mulher volta com seu filho ao juiz, e ele então setencia:
Menino a partir de hoje você está obrigado a reduzir pela metade a sua ração diária de açucar!
A mãe ficou satisfeita, mas não resistiu a pergunta: Porque você precisou de uma semana para decidir? E ele disse: Eu precisava saber se eu mesmo era capaz reduzir o meu consumo de açucar, antes de obrigar alguém a fazê-lo.

Eu aprendi a lição. Como professor jamais solitei um trabalho ou pesquisa sem antes eu mesmo pesquisar o assunto, sem antes verificar as fontes de pesquisa, inicialmente em livros e revistas e depois também na Internet. Nunca pedi um trabalho que eu mesmo não fosse capaz de fazer. Nunca apliquei uma prova que eu mesmo não fosse capaz de resolver em 50 minutos (na verdade em menos do que isso, pois os estudantes costumam levar mais tempo).

Mas tem muito "professor" por aí que solicita trabalhos impensáveis, descabidos, desconexos...
Pede coisas sem antes ter ele mesmo verificado onde o assunto pode ser encontrado ou pesquisado. Assim, não orienta os alunos (nem poderia), que então ficam perdidos, tentando adivinhar o que é que o professor quer, outros achando um jeito de "encher lingüiça" com o pouco que acharam a respeito, ou que pensam ter achado.

E os tais "projetos interdisciplinares" então? Tem "pedagoga" (nem é preconceito, nem vem!) que acha que quanto mais misturar assuntos melhor, mesmo que não exista ligação alguma. Ficam forçando a barra. Faz sentido: se vivemos em um rede de interações então tudo está de uma forma ou outra relacionado... seria um bom argumento, não fosse o caso da enorme complexidade da questão.

Já vi "projetos interdisciplinares" de enlouquecer qualquer um de mente sadia. Um sobre aborto por exemplo, onde os pobres alunos tinham que relacionar esse tema à Física !!! Uma coisa que me parece sádica mesmo, imagine: calcule o torque aplicado à cabeça do feto no momento que o forcéps puxa o inocente para fora, ou qual a máxima tração que permite o retirar o feto sem lhe arrancar a cabeça. O pior de tudo é que não se tratava de discutir o assunto, pois numa discussão muita coisa pode aparecer, mas não, era para "fazer um trabalho relacionando à Física ao aborto". Sinceramente isso não tem cabimento, que me perdoem os que criaram o tal projeto ou com que concordaram com ele.

Se vai pedir um trabalho escolha um tema pertinente, seja racional e pesquise primeiro. Indique as fontes. Especifique os itens. Crie situações problema (insisto: seja razoável!) que possam ser resolvidos a partir dos conhecimentos adquiridos com a pesquisa.

... e tenho dito!
Salan

terça-feira, junho 07, 2005

Por que "quase tudo que existe teve um começo" ?

Eu digo "quase tudo" pois algumas coisas que existem talvez não tenham tido um começo, coisas que talvez sempre tenham existido de uma forma ou de outra... O Universo por exemplo, será que teve mesmo "um" início? será o BigBang realmente o Início de tudo ou foi apenas parte de um processo sem começo nem fim, um entre muitos bigbang's, que teria criado este universo, um só a mais dentre tantos outros... ?
Também há a questão: "início", "meio" e "fim" configura uma evolução temporal, portanto pressupõe a existência do tempo. Se afirmarmos que o Bigbang foi o início do Universo, então estamos supondo que o tempo já existia, então há, afinal de contas, algo que sempre existiu - o tempo.
Por outro lado, o tempo talvez tenha surgido junto com o Bigbang... ou talvez o tempo nem exista...

segunda-feira, junho 06, 2005

O início

Que tudo que existe teve um início é quase verdade. Mas certas coisas deveriam começar pela segunda vez e não pela primeira.
A primeira aula de cada turma por exemplo (é isso, sou professor sim!)... não devia existir, a gente devia começar sempre pela segunda aula, depois voltava para a primeira e fazia as apresentações.
Mas enfim... Este é o primeiro post...